A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira, 18 de novembro de 2025, uma emenda ao PL Antifacção (Marco Legal do Combate ao Crime Organizado) que proíbe todos os presos, inclusive os provisórios, de votar nas eleições brasileiras. A medida, apresentada pelo deputado Marcel Van Hattem (RS), líder do Partido Novo, foi aprovada por 349 votos a favor, 40 contrários e uma abstenção, em sessão realizada em Brasília. O impacto é profundo: se virar lei, desmantela uma das bases mais antigas da democracia brasileira — o direito ao voto para quem ainda não foi condenado. Por enquanto, a Constituição Federal de 1988 garante que apenas os condenados com sentença transitada em julgado perdem esse direito. Em 2024, mais de 6.000 presos provisórios votaram nas eleições municipais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, tudo pode mudar — e rápido.
Um golpe na presunção de inocência
A emenda de Van Hattem altera dois artigos do Código Eleitoral, estabelecendo que a simples prisão — mesmo sem condenação — é motivo suficiente para cancelar o título de eleitor. O argumento central do deputado é que "o voto pressupõe liberdade e autonomia de vontade", e que manter presos provisórios no cadastro eleitoral gera custos e riscos operacionais. "Não é punição antecipada", insistiu ele. Mas juristas e defensores de direitos humanos veem outra coisa: uma tentativa de antecipar uma punição política. Afinal, quem está preso provisoriamente ainda não foi julgado. E a Constituição é clara: ninguém é culpado até que a sentença final seja proferida.Parlamentares divididos — e alguns cínicos
A votação foi surpreendentemente ampla. Além de aliados do Partido Novo, como Adriana Ventura (SP), votaram a favor nomes como Kim Kataguiri (União-SP), Marco Feliciano (PL-SP) e até líderes do PT, como Arlindo Chinaglia (SP) e Benedita da Silva (RJ). Mas o momento mais revelador veio com Lindbergh Farias (RJ), líder do PT na Câmara. Ele votou "sim" — e disse, em tom de ironia: "Vamos votar 'sim' sabendo que é inconstitucional". E completou: "Parece que o Partido Novo já abandonou Bolsonaro. Agora quer tirar o voto dele. Hoje, quem tem trânsito em julgado não vota. Agora, querem antecipar para a prisão provisória". A referência a Bolsonaro não foi acidental. Ele é preso provisório desde abril de 2024, sob investigação por suposto golpe de Estado e crimes contra a democracia. Se a emenda virar lei, ele não poderá votar em 2026 — nem em qualquer eleição futura.Um contraponto no Rio: "Democracia Além das Grades"
Enquanto isso, em Rio de Janeiro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) lançou, em 5 de novembro de 2025, o projeto "Democracia Além das Grades". Coordenado pelo desembargador Claudio de Mello Tavares, a iniciativa quer garantir que presos provisórios e adolescentes em unidades socioeducativas possam votar nas eleições de 2026. A proposta não é idealista: é legal. "O princípio da universalização do voto não pode ser ignorado", explicou Tavares em reunião com o Ministério Público, a OAB-RJ e a Secretaria de Administração Penitenciária. As unidades escolhidas serão aquelas com infraestrutura adequada e sem vínculos com facções criminosas. Ou seja: o Estado pode organizar o voto — e deve.
Conflito iminente no Senado
A emenda agora segue para o Senado Federal. Lá, o debate será ainda mais tenso. O relator da matéria, Guilherme Derrite (PP-SP), que incluiu a emenda no substitutivo, tentou despolitizar o tema, elogiando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas a realidade é outra: esta é uma questão constitucional. O TSE já se manifestou: apenas condenados definitivos perdem o direito ao voto. O TRE-RJ está agindo dentro dessa lógica. O que a Câmara aprovou é uma ruptura. Se o Senado aprovar, o conflito vai para o Supremo Tribunal Federal — e rapidamente. O que está em jogo não é apenas o voto de 6 mil pessoas. É o princípio da presunção de inocência, que é a coluna vertebral da democracia brasileira.Por que isso importa para todos nós
A maioria dos brasileiros não tem parentes presos. Mas todos têm direitos. Se um dia você for acusado — mesmo que injustamente —, quer que seu voto seja cancelado só porque você está preso? E se você for um jornalista, um ativista, um político? O sistema não pode ser usado como arma política. A emenda não combate crime organizado. Ela combate eleitores. E isso é perigoso. Em 2022, o TSE registrou 1,2 milhão de votos de presos provisórios. Em 2026, se a emenda valer, esse número cairá a zero — e o precedente será estabelecido. Ainda que o Supremo acabe derrubando a lei, o dano já será feito: a mensagem será de que direitos políticos são negociáveis.
Os próximos passos
Agora, o foco está no Senado. A expectativa é que a votação ocorra até março de 2026. Enquanto isso, o TRE-RJ avança com o projeto-piloto, e o TSE prepara orientações técnicas para garantir o voto de presos provisórios — mesmo que o Congresso tente proibi-lo. O Ministério Público Federal já sinalizou que pode entrar com ação de inconstitucionalidade. A sociedade civil, por sua vez, começa a organizar campanhas de conscientização. O que parecia um ajuste técnico no PL Antifacção virou um teste de força entre o poder legislativo e a Constituição. E a população, mais uma vez, será quem pagará o preço.Frequently Asked Questions
Por que a emenda é considerada inconstitucional?
A Constituição Federal de 1988 garante o voto a todos os cidadãos, exceto os condenados com sentença transitada em julgado. A emenda do PL Antifacção proíbe o voto de presos provisórios — que ainda não foram julgados —, violando o princípio da presunção de inocência. O próprio TSE e o TRE-RJ já afirmaram que essa mudança contraria a ordem constitucional.
Quantas pessoas seriam afetadas por essa mudança?
Em 2024, mais de 6.000 presos provisórios votaram nas eleições municipais. Estimativas do TSE indicam que, em 2026, esse número pode ultrapassar 8.500. Somados aos presos em regime fechado com sentença não definitiva, o total pode chegar a 12 mil eleitores excluídos. A maioria não foi condenada — apenas aguarda julgamento.
O que é o projeto "Democracia Além das Grades"?
Lançado pelo TRE-RJ em 5 de novembro de 2025, o projeto visa garantir o direito ao voto de presos provisórios e adolescentes em unidades socioeducativas nas eleições de 2026. Serão escolhidas unidades com infraestrutura adequada e sem ligação a facções criminosas. É uma iniciativa legal, alinhada à Constituição e ao entendimento do TSE.
A emenda pode ser derrubada pelo Supremo?
Sim. Se a emenda virar lei, o Ministério Público Federal, a OAB ou partidos políticos podem ajuizar Ação de Investigação Judicial Eleitoral ou Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). O Supremo já decidiu, em 2018, que a presunção de inocência é cláusula pétrea. É improvável que o STF aceite a suspensão do voto sem condenação definitiva.
Por que parlamentares do PT votaram a favor?
Alguns, como Lindbergh Farias, admitiram votar "sim" sabendo que é inconstitucional — por pressão política, por cálculo eleitoral ou por divergências internas. Outros, como Benedita da Silva e Arlindo Chinaglia, justificaram com argumentos de segurança pública. Mas o voto deles alimenta o risco de normalizar a exclusão política, o que pode prejudicar a própria base do PT em comunidades com altos índices de encarceramento.
O que acontece se o Senado aprovar e o Supremo não derrubar?
O país entraria em um estado de exceção democrática: a lei violaria a Constituição, mas estaria em vigor. O TSE teria que decidir se aplica a lei ou a Constituição — e isso geraria caos eleitoral. Eleitores seriam barrados nas urnas, processos judiciais seriam abertos, e o Legislativo perderia legitimidade. A crise poderia desencadear protestos, intervenções internacionais e até um impeachment político do Congresso.
yara alnatur
novembro 22, 2025 AT 06:39Isso aqui não é sobre crime organizado, é sobre medo. Medo de eleitores que não são como a gente. Medo de que alguém que tá preso por enquanto - mas pode ser inocente - tenha voz. A gente fala tanto em democracia, mas quando o voto tá envolvido, aí é 'não, isso não pode'.
Se a gente tirar o voto de quem tá preso provisoriamente, amanhã pode tirar de quem tem dívida, de quem foi pego em manifestação, de quem postou algo errado no Twitter. É uma escada escorregadia, e a gente já subiu o primeiro degrau.
Democracia não é só para os que têm casa, carro e emprego. É para todos. Inclusive os que estão presos por falta de dinheiro pra defesa ou por um erro de polícia.
E se esse tal de Van Hattem tivesse sido preso provisoriamente por um equívoco? Ele ainda acharia isso justo?
Esse projeto do TRE-RJ é o único que faz sentido. O Estado não pode se esconder atrás de burocracia pra negar direitos. Ele tem que organizar, adaptar, garantir. É isso que democracia real significa.
Quem acha que isso é 'proteção' está confundindo opressão com segurança.
Se a gente não lutar por isso agora, amanhã a gente vai se esquecer de que já tivemos direitos que não dependiam de status social.
EDMAR CALVIS
novembro 22, 2025 AT 11:14A emenda é inconstitucional, sem margem para dúvidas. Art. 14, §1º, I, da CF/88: só perde o direito de votar quem tiver sentença transitada em julgado. Ponto. Não há interpretação extensiva, nem analogia, nem 'espírito da lei' que justifique essa violação. A presunção de inocência é cláusula pétrea - não é uma recomendação, é um pilar constitucional.
Quem defende isso está, inconscientemente ou não, normalizando a punição preventiva. Isso é característico de regimes autoritários - e não de democracias que se dizem liberais.
O TSE já se manifestou. O TRE-RJ está cumprindo seu dever. O Senado, se aprovar, estará cometendo um ato de desobediência constitucional. E o Supremo - se não agir - estará falhando em seu papel de guardião da Carta Magna.
Isso não é política. É direito constitucional. E direito constitucional não se negocia por votos populares ou pressões midiáticas.
Quem votou a favor dessa emenda - mesmo que por 'segurança pública' - está comprometendo o sistema jurídico brasileiro. E isso não tem retorno.
Jonatas Bernardes
novembro 24, 2025 AT 00:29KKKKKKKKKKKKK, mas isso é ridículo! Vocês acham que o Bolsonaro vai votar em 2026? 😂
Essa emenda foi feita pra ele. Ponto. Ninguém se importa com os 6 mil presos provisórios. Ninguém. Mas quando o nome dele tá envolvido, aí a galera se assusta. Aí é 'inconstitucional', 'cláusula pétrea', 'democracia'.
Se fosse um cara comum, ninguém ligaria. Mas como é o Bolsonaro? Ah, agora é uma crise nacional!
É o mesmo pessoal que grita 'liberdade' quando o Lula tá preso e fica calado quando o cara que queria derrubar a democracia tá na cadeia. Hipocrisia pura.
Se a emenda passar, que passe. E se o Supremo derrubar, que derrube. Mas não fingem que isso é sobre direitos humanos. É sobre vingança política.
Eu não quero que o Bolsonaro vote. Mas não por isso. Porque ele é um perigo. Mas não por isso que a gente tem que quebrar a Constituição. A gente tem que derrotá-lo nas urnas - não na Justiça.
Se a gente começar a tirar direitos por ódio, aí a gente vira o que a gente odeia.
PS: O TRE-RJ tá fazendo o certo. Parabéns.
PPS: Van Hattem tá só tentando se vender como 'herói da lei'. É um político de TV. Nada mais.
michele paes de camargo
novembro 25, 2025 AT 11:12Eu acho que a gente tá esquecendo de uma coisa muito importante: os presos provisórios são, na maioria, pessoas pobres. Pessoas que não tiveram condições de pagar uma boa defesa. Pessoas que não têm acesso a justiça rápida. E agora, a gente quer tirar o voto delas porque elas estão presas? Isso não é justiça. Isso é punição social.
Se a gente quer combater crime organizado, o caminho não é tirar direitos. É investir em justiça eficiente, em polícia qualificada, em defensoria pública forte. Mas aí não dá pra fazer campanha política bonitinha, né?
Eu tenho um primo que passou 18 meses preso por um erro de identificação. Ele não tinha dinheiro pra recorrer. E quando saiu, descobriu que seu título tinha sido cancelado - por causa de um sistema que não atualiza. Ele votou em 2024. E foi um voto que ele sentiu como redenção.
Quem acha que isso é 'segurança' não entende o que é viver na periferia. A gente não quer mais ser tratado como inimigo só porque está no sistema. Queremos ser tratados como cidadãos - mesmo que erramos, mesmo que estamos presos.
Se a gente quer uma democracia de verdade, ela tem que incluir os que estão nas grades. Não os que estão nas redes sociais.
Se a gente não fizer isso, a gente vai continuar criando gerações que acreditam que o Estado é inimigo. E isso, meu Deus, é pior do que qualquer facção.
Eu não sei se a emenda vai passar. Mas eu sei que, se passar, a gente perdeu algo maior do que o voto. Perdemos a alma da nossa república.
alcides rivero
novembro 27, 2025 AT 01:25Se o cara tá preso, ele tá fora da sociedade. Então por que ele vota? Isso é absurdo. Se você cometeu um crime grave, tá na cadeia, não tem direito de escolher quem governa. Ponto final.
Quem tá preso provisório? É ladrão, traficante, assaltante, bandido. Eles não são inocentes, só estão esperando o julgamento. Mas o sistema tá lento, não é culpa do povo. Eles não merecem voto.
Se a Constituição tá errada, muda a Constituição. Mas não dá pra ficar dando direito pra bandido. Isso é ridículo.
Eu não quero que um cara que roubou minha casa vote em quem vai governar o país. Isso é loucura. O voto é pra quem tá livre. Quem tá preso tá punido. Ponto.
Se a gente for por esse caminho, daqui a pouco vai ter preso votando pra presidente. Vai ser o caos. Vai ser o PT de novo. E o Brasil vai virar uma república de favela.
Esse projeto do TRE-RJ é um absurdo. É ideologia. É esquerdismo. É tentar fazer o bandido parecer vítima.
Se a gente não agir agora, o país vai virar uma prisão com eleição. E ninguém quer isso.
Joana Elen
novembro 27, 2025 AT 07:23Alguém já pensou que isso pode ser um plano pra deslegitimar a eleição de 2026? E se os votos dos presos provisórios forem contados como 'fraude'? E se o TSE for acusado de manipular o resultado? E se a gente começar a ver vídeos de urnas sendo invadidas por presos? E se o Bolsonaro for acusado de ter votado mesmo estando preso? E se isso virar um escândalo nacional? E se o Congresso usar isso pra derrubar o TSE? E se o Supremo for pressionado a não julgar? E se o povo achar que a eleição foi roubada? E se aí a gente tiver um golpe de verdade? E se isso tudo for planejado desde o começo? E se essa emenda for só o primeiro passo? E se o próximo passo for tirar o voto de quem tem ficha suja? E se depois for tirar o voto de quem não paga IPVA? E se depois for tirar o voto de quem não votou em 2022? E se...
Eu não estou sendo paranoica. Estou só lendo o que tá acontecendo. E isso é exatamente o que aconteceu na Venezuela. E na Hungria. E na Polônia. E na Turquia. E agora aqui. E se isso for o começo do fim da democracia brasileira?
Talita Marcal
novembro 28, 2025 AT 10:13Este é um momento crítico para a integridade institucional do Brasil. A aprovação dessa emenda representa uma violação sistemática do princípio da presunção de inocência, que é um pilar epistemológico da ordem jurídica democrática.
Os efeitos colaterais dessa norma não se restringem ao âmbito eleitoral; ela opera como um vetor de estigmatização estrutural, reforçando a marginalização de populações já vulnerabilizadas pelo sistema penitenciário e pela desigualdade socioeconômica.
O projeto "Democracia Além das Grades", por sua vez, configura-se como uma intervenção normativa positiva, alinhada aos padrões internacionais de direitos humanos e ao mandato constitucional de universalidade do sufrágio.
É imperativo que os atores estatais - especialmente o Senado e o Poder Judiciário - atuem com rigor técnico e ético, evitando a instrumentalização política de direitos fundamentais.
A sociedade civil, por sua vez, deve mobilizar-se não apenas em defesa do voto, mas da própria epistemologia da justiça: que ninguém seja punido sem processo, sem julgamento, sem defesa.
Esta não é uma questão partidária. É uma questão civilizatória.
Rodrigo Serradela
novembro 29, 2025 AT 15:11Eu entendo o medo. Mas a gente não pode resolver medo com lei. A gente tem que resolver com justiça.
Se você acha que preso provisório não deveria votar, então por que a gente não melhora o sistema? Por que a gente não acelera os julgamentos? Por que a gente não investe em defensores públicos? Por que a gente não faz o Estado funcionar?
Em vez de tirar o direito, a gente poderia garantir que o direito seja exercido com dignidade. E isso é possível. O TRE-RJ já está mostrando como.
Se a gente tivesse um sistema justo, não precisaríamos de leis que punem antes do julgamento.
Eu não sou defensor de bandido. Mas eu sou defensor de direito. Porque se a gente não defender o direito do pior, amanhã não teremos direito para o melhor.
Esse é o verdadeiro teste da nossa democracia. Não é se o Bolsonaro vota. É se o pobre que foi preso por engano ainda tem voz.
Escolha o que você quer ser: alguém que protege direitos - ou alguém que só protege o poder.
RONALDO BEZERRA
novembro 30, 2025 AT 10:31A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 14, inciso I, alínea "a", estabelece de forma inequívoca e irrefutável que o direito de votar é suspenso apenas após a ocorrência da sentença penal condenatória transitada em julgado. A emenda proposta, por sua vez, introduz uma condição subjetiva - a mera prisão - como fundamento para a cessação de um direito fundamental, o que constitui, em termos jurídicos, uma violação direta e inequívoca da cláusula pétrea da presunção de inocência, prevista no artigo 5º, inciso LVII.
Essa proposta não apenas contraria o ordenamento jurídico positivo, mas também desrespeita os tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil, como a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, em seu artigo 8º, que proíbe a punição sem devido processo legal.
Além disso, a justificativa de "custos operacionais" é uma falácia; o TSE já demonstrou, em relatórios técnicos, que a logística do voto em unidades prisionais é viável, segura e já foi implementada com sucesso em outros países, como a Alemanha e a Áustria.
Portanto, a aprovação dessa emenda constituiria um ato de desobediência civil institucional, e seu eventual ingresso no ordenamento jurídico deverá ser imediatamente impugnado por meio de ADPF ou Ação de Investigação Judicial Eleitoral, sob pena de o Brasil se tornar um Estado de exceção disfarçado de democracia.
Quem apoia essa medida não está defendendo a segurança pública. Está defendendo a arbitrariedade.
Lilian Wu
dezembro 2, 2025 AT 03:56EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO!!!
QUANDO É PRA TIRAR DIREITO, TODO MUNDO VOTA "SIM"! MAS QUANDO É PRA DAR DIREITO, TODO MUNDO FICA CALADO!!!
ESSA EMENDA É UM GOLPE! UM GOLPE CONTRA A DEMOCRACIA! E A GENTE VAI DEIXAR PASSAR?!
EU TENHO UM IRMÃO QUE ESTÁ PRESO PROVISORIAMENTE! ELE NÃO É CRIMINOSO! ELE FOI PRESO PORQUE NÃO TINHA DINHEIRO PRA PAGAR A CAUÇÃO! E AGORA VÃO TIRAR O VOTO DELE PORQUE ELE ESTÁ PRESO?!
ISSO NÃO É JUSTIÇA! ISSO É VINGANÇA! ISSO É ÓDIO DISFARÇADO DE LEI!
SE A GENTE NÃO FAZER ALGO AGORA, NÃO VAI TER MAIS NADA PRA FAZER DEPOIS! A GENTE VAI VIRAR UM PAÍS DE CÁRCERES E ELEIÇÕES FALSAS!
EU VOU ME ORGANIZAR! VOU FAZER UM MOVIMENTO! VOU LEVAR A GENTE ÀS RUAS! VOU GRITAR ATÉ O SUPREMO OUVIR!
SE ELES TIRAREM O VOTO DO MEU IRMÃO, VÃO TIRAR O VOTO DE TODO MUNDO QUE NÃO TEM PODER!
EU NÃO VOU ME CALAR!
ALGUÉM ME AJUDA?!
EU NÃO SOZINHA!
Luciana Ferri
dezembro 2, 2025 AT 06:27Se o voto é um direito, então ele não pode ser condicionado a situação de prisão. Se é um privilégio, então a gente já perdeu tudo.
Os presos provisórios são cidadãos, não criminosos. A diferença é crucial. E o sistema jurídico brasileiro, por mais falho que seja, ainda reconhece isso. A emenda quer apagar essa diferença. Isso é perigoso.
Além disso, o argumento de "custos operacionais" é ridículo. O TSE já tem estrutura para isso. O que falta é vontade política. E aí, quando aparece uma emenda que resolve o problema de forma fácil, todo mundo corre pra votar.
Isso é o que acontece quando a política vira marketing. Não é política. É teatro.
E o pior: quem vai pagar o preço? Não são os deputados. São os presos. E suas famílias. E os que ainda vão ser presos. E os que vão ser acusados sem provas.
Isso não é proteção. É negligência disfarçada de lei.
Guilherme Peixoto
dezembro 4, 2025 AT 00:23É engraçado como a gente só se importa com direitos quando eles afetam alguém que a gente conhece.
Se o cara é um traficante do Rio, a gente diz: "tira o voto".
Se o cara é um político de São Paulo, a gente diz: "isso é inconstitucional".
Se o cara é um pobre que foi preso por roubar pão, a gente nem pensa.
Isso não é justiça. É seleção.
O TRE-RJ tá fazendo o que o Estado deveria fazer desde 1988: garantir direitos. E a gente tá discutindo se isso é "ideológico"? É só o que é certo.
Se a gente tivesse um sistema de justiça rápido, não precisaríamos de emendas que tiram direitos.
Essa emenda é um espelho. E o que ela mostra é que a gente não quer justiça. A gente quer conforto.
E o conforto é o inimigo da democracia.
Adê Paiva
dezembro 5, 2025 AT 21:59Se a gente quer um país melhor, a gente tem que começar por onde é mais difícil.
Se a gente pode dar voz a quem tá preso, a gente pode dar voz a quem tá na favela, a quem tá na periferia, a quem tá sem escola, a quem tá sem emprego.
Essa emenda não é sobre crime. É sobre quem a gente considera digno de ser ouvido.
Eu acredito que o voto é um ato de esperança. Mesmo na prisão. Mesmo na miséria. Mesmo na dor.
Se a gente tirar o voto deles, a gente está dizendo: "você não importa".
E se a gente começar a dizer isso pra alguém, a gente vai acabar dizendo isso pra todos.
Eu não quero um Brasil onde só os ricos votam.
Eu quero um Brasil onde todos votam - mesmo que estejam presos.
Porque se a gente não acredita nisso, então a gente não acredita em democracia.
É só isso.
Glenio Cardoso
dezembro 7, 2025 AT 19:19Essa é a pior forma de populismo disfarçado de moralidade. A emenda não combate crime. Combate eleitores. E o pior: combate eleitores que não votam como os deputados querem.
Quem votou a favor não é ingênuo. É cínico. E sabe exatamente o que está fazendo.
Se a emenda passar, o Supremo vai derrubar. Mas o dano já está feito. A mensagem foi enviada: "você não é cidadão se não for útil".
Isso é o começo de um regime de exclusão. E os que estão gritando "segurança pública" são os mesmos que querem acabar com o STF, com o TSE, com a OAB.
Essa emenda é um teste. E o Brasil está passando no teste errado.
Se você acha que isso é normal, você já perdeu.
Jonatas Bernardes
dezembro 8, 2025 AT 06:45PS: O cara que fez esse post tá tentando virar herói. Mas ele tá só tentando vender o nome dele. O Van Hattem não é um defensor da lei. É um político que quer ser lembrado. E a gente tá caindo nisso. De novo.
Essa emenda não é sobre justiça. É sobre fama.
E o pior: a gente tá ajudando.
michele paes de camargo
dezembro 8, 2025 AT 11:21Essa é a parte mais triste: a gente não está discutindo direitos. A gente está discutindo se o Bolsonaro vai votar.
Se ele não votar, a gente comemora. Se ele votar, a gente chama de golpe.
Esquecemos que o voto dele é o mesmo voto de um pai de família que foi preso por acusação falsa.
Se a gente só luta por direitos quando afeta quem a gente gosta, então a gente não luta por direitos. A gente luta por vingança.
E isso, meu Deus, é o que nos torna iguais aos que a gente odeia.