Ratinho Junior e Flávio Bolsonaro: O jogo de xadrez político para 2026

A definição do tabuleiro político para as eleições de 2026 ganhou contornos dramáticos em abril, quando Ratinho Junior, Governador do Paraná, iniciou uma série de negociações tensas com o senador Flávio Bolsonaro. O centro da disputa? Uma resposta definitiva sobre se o líder do PSD no estado pretendia, ou não, lançar sua própria candidatura à Presidência da República. O impasse não afetou apenas o cenário nacional, mas redesenhou as alianças regionais no Palácio Iguaçu.

Aqui está o ponto central: enquanto o PSD cogitava um projeto presidencial para Ratinho, o Partido Liberal (PL), comandado por Valdemar da Costa Neto, queria a confirmação de que o governador não seria um concorrente, mas sim um aliado estratégico para a família Bolsonaro. A tensão escalou quando Ratinho, após agendar uma reunião crucial para o dia 9 de abril de 2026, em Brasília, simplesmente não apareceu. O "bolo" dado na liderança do PL não foi por acaso; fontes indicam que ele queria evitar ouvir que o partido poderia apoiar o senador Sergio Moro caso insistisse na candidatura presidencial.

O jogo de bastidores e a pressão do PL

A movimentação começou com encontros frenéticos. Ratinho chegou a viajar para São Paulo para alinhar datas com Gilberto Kassab, tentando equilibrar a sucessão estadual com as ambições nacionais. O prazo de incompatibilização, que se encerrou em 4 de abril de 2026, colocou o governador contra a parede. Se ele desistisse da presidência, o caminho natural seria uma aliança sólida entre PL e PSD no Paraná.

Mas a realidade política é traiçoeira. Quando a reunião finalmente aconteceu em 11 de abril, no complexo Brasil 21, o clima era de cobrança. Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, fez apelos diretos para que o governador abandonasse suas pretensões presidenciais em prol de uma frente única da direita. Interessante notar que, enquanto isso, Valdemar da Costa Neto já declarava publicamente que não acreditava em Ratinho como candidato — o que o governador chegou a classificar como "fake news" antes de apagar a postagem.

A fragmentação da direita no Paraná

O efeito dominó dessas negociações chegou rapidamente aos partidos menores. Em 19 de abril de 2026, o partido Novo anunciou a saída do grupo político de Ratinho Junior. A mudança foi brusca: o Novo aceitou o convite de Flávio Bolsonaro e Sergio Moro para formar uma nova coalizão de direita.

Nesta nova configuração, Moro — que deveria migrar para o PL na semana seguinte — foi posicionado como pré-candidato ao governo do estado. Para completar o quadro, o ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, foi lançado como pré-candidato ao Senado, dividindo a chapa com o deputado federal Filipe Barros. Essa manobra deixou Ratinho em uma posição vulnerável, perdendo apoio partidário enquanto tentava definir seu rumo.

Análise do impacto e a sucessão estadual

Análise do impacto e a sucessão estadual

O custo dessa indecisão foi a perda de controle sobre a base aliada no Paraná. A articulação entre Luciano Ducci e Arilson Chiorato, marcada para 16 de abril, mostra que ainda existem tentativas de remendar a situação, mas o dano parece feito. A direita paranaense, que deveria marchar unida, viu-se dividida entre o projeto pessoal de Ratinho e a hegemonia do PL.

Especialistas políticos observam que esse cenário é um reflexo da dificuldade de acomodação de egos dentro do bloco conservador. A saída do Novo e a entrada de Moro no PL criam um eixo de oposição interna ao governo do estado que pode ser fatal nas urnas de 2026. O "vácuo" deixado por Ratinho ao recuar da corrida presidencial, conforme discutido posteriormente em fóruns de análise política como o "Foro de Teresina", abriu espaço para que outros nomes tentassem ocupar a liderança da direita.

O que esperar para as próximas etapas

O que esperar para as próximas etapas

O foco agora se volta para a formalização da migração de Sergio Moro para o PL e a consolidação da chapa com Dallagnol. A pergunta que fica é: como Ratinho Junior conseguirá manter a governabilidade no Paraná após ser abandonado por aliados e pressionado por Flávio Bolsonaro? O calendário eleitoral não perdoa, e a janela para novas alianças está se fechando.

A reorganização da direita, que teve seu ápice nas reuniões de abril em Brasília e Curitiba, indica que 2026 não será apenas uma disputa contra a esquerda, mas uma guerra fratricida pelo controle do eleitorado conservador no Sul do país.

Perguntas Frequentes

Por que Ratinho Junior faltou à primeira reunião com o PL?

O governador evitou o encontro no dia 9 de abril para não enfrentar a pressão direta de Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro. O principal motivo era o temor de ouvir que o PL apoiaria Sergio Moro para o governo do Paraná caso Ratinho insistisse em concorrer à presidência.

Qual foi a mudança na posição do partido Novo?

Em 19 de abril de 2026, o Novo deixou a coligação de Ratinho Junior para se unir ao PL. A legenda aceitou a proposta de Flávio Bolsonaro e Sergio Moro, posicionando Moro como pré-candidato ao governo do Paraná e Deltan Dallagnol como pré-candidato ao Senado.

Quem são os principais nomes da chapa da direita no Paraná para 2026?

A nova coalizão liderada pelo PL e Novo conta com Sergio Moro como pré-candidato ao governo estadual, enquanto Deltan Dallagnol e Filipe Barros buscam as vagas para o Senado Federal nas eleições de outubro de 2026.

Ratinho Junior realmente desistiu da candidatura presidencial?

Embora houvesse um projeto dentro do PSD, as pressões do PL e as movimentações de bastidores, discutidas inclusive no Foro de Teresina, indicam que ele recuou. A reorganização da direita agora foca em nomes que ocupem esse espaço, com Flávio Bolsonaro como figura central.